Tailândia News (Blog N. 572 do Painel do Coronel Paim) - Jornal O Porta-Voz

Este blog procura enfatizar acontecimentos que comprovam o funcionamento sistêmico da economia mundial, na qual, através de um sistema de "vasos comunicantes", fatos localizados, mas de grande amplitude, afetam o sistema econômico planetário, como um todo e, vice-versa.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Dilma e Bachelet apostam na cooperação para superar crise econômica


A presidente Dilma Rousseff se reuniu nesta sexta-feira em Santiago com a presidente do Chile, Michelle Bachelet, ocasião em que ambas apostaram na cooperação política e econômica como o melhor caminho para resolver a atual crise que afeta os países emergentes.

"Neste momento de queda dos preços das commoditties, de desaceleração das economias emergentes e de crise profunda, nós temos que cooperar", enfatizou Dilma em uma declaração pública após um encontro com sua colega chilena.

"A cooperação nos conduzirá a um maior desenvolvimento econômico e nos permitirá criar mais emprego", declarou a presidente durante um pronunciamento à imprensa de ambas chefes de Estado.

"Chile e Brasil não só compartilham uma longa história de amizade, também contamos com um diálogo político muito fluído para projetar nossas relações bilaterais", destacou Bachelet.

A presidente chilena acrescentou que ambos países defendem os mesmos valores, "a paz, a democracia e os direitos humanos", assim como seus governos defendem "políticas públicas que respondem às reivindicações dos povos, combatem a desigualdade e promovem o desenvolvimento sustentável".

Por sua vez, Dilma elogiou a iniciativa de Bachelet de "construir a aproximação entre o Mercosul e a Aliança do Pacífico, que é estratégica para a América do Sul".

Bachelet, que atualmente ostenta a presidência temporária da Aliança do Pacífico, assumiu como objetivo prioritário de sua política externa aproximar as relações do bloco comercial formado por Chile, México, Colômbia e Peru com o Mercosul, integrado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

Como demonstração do avanço da estreita cooperação entre ambos governos, Bachelet anunciou que nos dias 8 e 9 de junho Chile e Brasil realizarão pela primeira vez o Mecanismo de Consultas dos ministros das Relações Exteriores e de Defesa.

"Os investimentos recíprocos (que do lado chileno somam US$ 26 bilhões de dólares, quatro vezes mais que os brasileiros) "estão em um excelente nível", disse Bachelet.

De fato, o Brasil é o principal parceiro comercial do Chile na América Latina, enquanto o país austral é o segundo maior parceiro comercial brasileiro na América do Sul.

"Mas vão estar ainda mais (próximos) graças aos efeitos positivos do Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos", assinado em novembro passado, acrescentou a presidente chilena.

Brasil e Chile devem negociar este ano um convênio sobre compras públicas e outro em matéria de serviços financeiros, e concordam na importância de iniciar os corredores bioceânicos que unirão o Atlântico com o Pacífico.

Em relação aos temas globais, ambas chefes de Estado consideraram que o mundo enfrenta desafios que só poderão ser superados "com esforços coletivos coordenados e muito cooperativos".

"Chile e Brasil - ressaltou Dilma - atuarão coordenadamente para o êxito do acordo da COP21 (a conferência da ONU sobre mudança climática realizada em Paris), assim como com os objetivos da Agenda 2030" para o Desenvolvimento Sustentável.

Dilma destacou que "a cooperação regional é fundamental também para fazer frente a surtos de zika, dengue e chicungunha", e agradeceu a Bachelet pela colaboração do Chile nos foros multilaterais sobre este tema.

Também fez um reconhecimento ao Chile pelo memorando que permitiu o envio ao Brasil de documentos que serviram para esclarecer graves violações dos direitos humanos durante a ditadura militar.

"É simbólico para a história de nossos dois países que o acordo tenha sido assinado por duas presidentas", salientou.

No encontro realizado no Palácio de la Moneda, sede do Executivo chileno, ambas governantes ratificaram seu apoio ao processo de paz na Colômbia.

Além disso destacaram o acordo bilateral de acesso universal a remédios e a cooperação em matéria de ciência e pesquisa, produção cinematográfica e astrofísica.

Neste ponto foi destacada a participação do Brasil na construção do Telescópio Gigante de Magalhães, que entrará em funcionamento em 2020, e a incorporação do Brasil ao Observatório Europeu do Sul, que atualmente opera três centros de observação no Chile.

Dilma aproveitou o encontro para convidar Bachelet à abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, "que além de ser uma cerimônia esportiva é uma celebração da paz".

E, parafraseando o poeta chileno Pablo Neruda, Dilma concluiu sua declaração dirigindo-se a Bachelet para dizer-lhe que "não há luta nem esperança solitárias. Esta é a mensagem que inspira seu trabalho e meu trabalho a favor da amizade e do desenvolvimento do Chile e do Brasil".



terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Mercado sobe estimativa de inflação para 2016 e vê retração maior do PIB

Os economistas do mercado financeiro elevaram novamente sua estimativa de inflação para este ano e passaram a prever uma contração maior da economia brasileira. Os dados são do relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira (15) pelo Banco Central, e que reúne dados pesquisados junto a mais de 100 instituições financeiras.

Para 2016, a expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, subiu de 7,56% para 7,61%, o sétimo aumento seguido. Com isso, permanece acima do teto de 6,5% do sistema de metas do ano que vem e bem distante do objetivo central de 4,5%.
Para 2017, a estimativa do mercado financeiro para a inflação permaneceu estável em 6%. Com isso, segue distante da meta central de 4,5% do ano que vem e continua exatamente no teto de 6% do regime de metas para o período.
O IPCA ganhou força no início de 2016, chegando a 1,27% em janeiro - maior taxa mensal para janeiro desde 2003, quando atingiu 2,25%. Em 12 meses, o indicador acumula alta de 10,71%.
O aumento das expectativas dos analistas das instituições financeiras para a inflação aconteceu com mais intensidade após o Banco Central manter a taxa básica de juros estável em 14,25% ao ano – o maior patamar em quase dez anos – em meados de janeiro.
Até poucos dias antes da reunião do Copom, que manteve os juros, o BC indicava que subiria a taxa Selic para tentar controlar a inflação, mas depois acabou deixando-a inalterada alegando baixo nível de atividade no Brasil e no mundo. Analistas que apontam que o BC sucumbiu a pressões políticas.
A autoridade monetária tem informado que buscará "circunscrever" o IPCA aos limites estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 2016 (ou seja, trazer a taxa para até 6,5%) e, também, fazer convergir a inflação para a meta de 4,5%, em 2017. O mercado financeiro, porém, ainda não acredita que isso acontecerá.
Produto Interno Bruto
Para o PIB de 2016, o mercado financeiro passou a prever uma contração de 3,33% na semana passada, contra uma retração de 3,21% estimada na semana anterior. Foi a quarta piora seguida do indicador.
Como o mercado segue estimando "encolhimento" do PIB em 2015, se a previsão se concretizar, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem início em 1948.
Para o comportamento do PIB em 2017, os economistas das instituições financeiras mostraram mais pessimismo e baixaram a previsão de crescimento de 0,6% para 0,59% na semana passada – também na quarta queda consecutiva da previsão.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.
Recentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou a piora de suas estimativas e passou a prever uma contração de 3,5% para o PIB brasileiro neste ano e um crescimento zero para 2017.
Taxa de juros
O mercado financeiro manteve sua estimativa para a taxa básica da economia no final deste ano em 14,25% ao ano – atual patamar da taxa Selic. Isso quer dizer que os analistas continuam não acreditando em uma nova alta dos juros no decorrer de 2016.
Já para o fechamento de 2017, a estimativa para a taxa de juros subiu de 12,50% para 12,75% ao ano - o que pressupõe queda menor dos juros no ano que vem.
A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para tentar conter pressões inflacionárias. Pelo sistema de metas de inflação brasileiro, a instituição tem de calibrar os juros para atingir objetivos pré-determinados. As taxas mais altas tendem a reduzir o consumo e o crédito, o que pode contribuir para o controle dos preços.
Câmbio, balança e investimentos
Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2016 subiu de R$ 4,35 para R$ 4,38. Para o fechamento de 2017, a previsão dos economistas para o dólar permaneceu em R$ 4,40.
A projeção para o resultado da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2016 recuou de US$ 36,35 bilhões para US$ 36,10 bilhões de resultado positivo. Para o próximo ano, a previsão de superávit ficou estável em US$ 39,3 bilhões.
Para 2016, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil ficou inalterada em US$ 55 bilhões e, para 2017, a estimativa dos analistas permaneceu em US$ 60 bilhões.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Aposta na volta do crescimento em 2016 divide economistas

São Paulo -- O retorno ao crescimento econômico no último trimestre deste ano, como acredita o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, divide opiniões de economistas. Os mais céticos avaliam que isso é improvável porque o consumo das famílias e os investimentos continuarão em queda em 2016 com agravamento da recessão, que deve levar o PIB a uma queda de 3% neste ano.
Por outro lado, vários especialistas acreditam no início de uma gradual recuperação da atividade no período entre outubro e dezembro, na margem. Para eles, isso ocorrerá por fatores como o fim de incertezas em relação ao impeachment da presidente Dilma Rousseff e a depreciação do câmbio, que pode ajudar ainda mais na substituição de importados por produtos nacionais.
Para os economistas céticos, a deterioração da demanda agregada, deve diminuir ainda mais o consumo e o investimento e impedirá crescimento em qualquer dos trimestres deste ano. Esse quadro deve também elevar o desemprego para uma marca superior a 11% até dezembro.
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Silvia Matos, economista do Ibre/FGV, estima com uma queda de 3% do PIB neste ano haverá destruição líquida de 2,2 milhões de empregos formais. "O cenário muito negativo para a atividade levará a uma alta expressiva do desemprego em todos os setores produtivos, inclusive em serviços", comentou. Ela projeta que a taxa de desocupação medida pela Pnad Continua deverá alcançar 12,3% no quarto trimestre e a média do ano será de 11,7%.
Vários economistas apontam que o PIB entre janeiro e junho será pressionado negativamente pelas dúvidas sobre a governabilidade do País, causadas principalmente pela possibilidade de impeachment da presidente Dilma. Contudo, alguns ponderam que, na segunda metade do ano, o nível de atividade pode parar de cair e engatar ligeiro avanço entre outubro e dezembro.
Alessandra Ribeiro, economista e sócia da consultoria Tendências, estima que a economia cairá 0,1% de julho a setembro, mas deverá subir 0,1% no último trimestre do ano. Ela pondera, contudo, que há riscos de piora para o PIB e a inflação ao final do ano, "relacionados à gestão macroeconômica".
A economista destaca que o IPCA deve atingir 9% nos 12 meses encerrados em março e voltar para nível abaixo de 8% a partir de outubro e fechar o ano em 7%. Na sua avaliação, a melhora da administração das contas públicas, com corte de gastos correntes, é o elemento mais importante para melhorar as expectativas dos agentes econômicos sobre a área fiscal e a inflação, o que ajudaria muito a reduzir juros futuros e conter depreciações intensas do câmbio. "Mas o governo sinaliza que retomará a política de estímulo ao crédito pelos bancos públicos, o que não será eficiente e terá impactos no Tesouro", apontou.
Os especialistas que apostam em recuperação do PIB a partir do último trimestre acreditam que o câmbio será o fator fundamental para isso. Considerando que não ocorra em 2016 uma depreciação tão forte quanto em 2015, que ficou próxima de 50%, "consumidores e empresários avaliarão que a economia ficará mais estável e menos sujeita a pressões de alta inflação", comentou Braulio Borges, economista-chefe da LCA. Ele estima que o dólar deve atingir R$ 4,15 em dezembro, uma variação nominal de 6,27% no ano. "Além disso, as contas externas devem continuar a avançar, sobretudo com a redução das importações, o que estimulará a produção doméstica a ocupar o lugar de mercadorias vindas do exterior."

Retomada

Juan Jensen, sócio da consultoria 4E, espera alta de 0,2% para o PIB do terceiro trimestre e outros 0,5% de aumento no último trimestre do ano. Ele pondera que o setor externo deve contribuir positivamente com dois pontos porcentuais para o PIB deste ano, mas não impedirá uma retração de 3,4% em 2016.
Para ele, o saldo comercial deverá subir de US$ 19,68 bilhões em 2015 para US$ 29,5 bilhões neste ano. "O fim do risco político, se afastada a possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff, mais a realização de concessões de infraestrutura e início de redução dos juros pelo BC em outubro deverão melhorar os sinais da economia e começar um incremento paulatino da demanda agregada no segundo semestre", destacou.